Na programação cinematográfica desta quinta-feira (23/4), destaca-se “Michael”, a cinebiografia do Rei do Pop, repleta de sucessos musicais e com uma abordagem mais leve, voltada para os admiradores do artista, sendo amplamente lançada nos cinemas. A Pipoca Moderna recomenda “Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra”, uma comédia de ficção científica que marca o retorno do diretor de “Piratas do Caribe” após um longo hiato de dez anos. A lista ainda inclui relançamentos clássicos de terror, uma produção sci-fi chinesa e quatro obras brasileiras. Confira a seguir os detalhes.
🎞️ MICHAEL
▶ Veja o trailer
A tão esperada cinebiografia de Michael Jackson retrata sua trajetória musical ao longo de duas décadas, abrangendo as fases da carreira do cantor desde os anos 1960 até os anos 1980. A escolha de Jaafar Jackson, sobrinho do cantor, para interpretar o artista mirim foi alvo de dúvidas, mas se mostrou acertada. Além de lembrar fisicamente o tio, Jaafar também captura seus trejeitos, o que acrescenta veracidade à performance. Um aspecto importante é que “Michael” se concentra mais em momentos musicais do que em elementos dramáticos.
O filme foca nas apresentações musicais e na interpretação dos grandes sucessos de Jackson, relegando a narrativa a um segundo plano. Essa abordagem se assemelha à fórmula utilizada em “Bohemian Rhapsody”, já que ambos os longas são produzidos pela mesma equipe. O enredo se limita a explorar o conflito entre Michael e seu pai controlador, Joe Jackson (interpretado por Colman Domingo), que vê o desejo do filho por uma carreira solo como uma ameaça ao grupo familiar Jackson 5, sem aprofundar a questão dos abusos sofridos por ele.
Realizado com a colaboração da família Jackson, o filme encerra sua narrativa no lançamento do álbum “Bad” em 1987, momento considerado o auge da carreira comercial do cantor – quando ele gravou um clipe sob direção de Martin Scorsese – evitando abordar comportamentos excêntricos ou as acusações de abuso sexual que afetaram sua reputação posteriormente.
Ao priorizar as músicas e apelar para a nostalgia dos fãs com uma produção apropriada para cantar junto, “Michael” tem recebido críticas negativas na imprensa dos EUA, resultando em apenas 37% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Dirigido por Antoine Fuqua (“O Protetor”), o elenco inclui Miles Teller como John Branca (empresário de Michael e um dos produtores), Jessica Sula como LaToya Jackson (irmã), Larenz Tate como Berry Gordy (fundador da Motown), Laura Harrier como Suzanne de Passe (executiva pioneira na música), Kat Graham como Diana Ross e Liv Symone como Gladys Knight. Curiosamente, Janet Jackson é a única membro da família que não participou deste projeto.
🎞️ BOA SORTE, DIVIRTA-SE, NÃO MORRA
▶ Veja o trailer
O cineasta Gore Verbinski está de volta às telonas após um longo período fora dos holofotes desde seu sucesso inicial nos anos 2000 com “O Chamado” e a franquia “Piratas do Caribe”. Sua nova obra é uma combinação de comédia, ação e ficção científica baseada em uma premissa inusitada: um homem aparentemente sem-teto invade uma lanchonete em Los Angeles afirmando ter vindo do futuro para recrutar clientes aleatórios para impedir que uma inteligência artificial destrua a humanidade antes da manhã.
A narrativa segue esse grupo improvável em uma corrida contra o tempo por uma cidade repleta de eventos estranhos, incluindo robôs fora de controle e ameaças tecnológicas. Sam Rockwell lidera o elenco ao lado de Zazie Beetz e Haley Lu Richardson. O grande desafio enfrentado pelos personagens é sua falta de habilidades para lidar com os perigos futuristas.
Abordando questões atuais sobre dependência tecnológica e desumanização, o filme utiliza efeitos práticos e gráficos para criar cenários urbanos distópicos. Com um ritmo acelerado característico das obras anteriores do diretor, misturando humor ácido com sequências dinâmicas de ação, Verbinski conseguiu conquistar a crítica após dez anos desde seu último lançamento – o decepcionante “A Cura” (2016) – conquistando 82% de aprovação no Rotten Tomatoes.
🎞️ TERRA À DERIVA 2: DESTINO
▶ Veja o trailer
A produção chinesa “Terra à Deriva 2: Destino” continua a saga apocalíptica ao colocar a sobrevivência da Terra em foco através de uma operação global ambiciosa. A história gira em torno da tentativa desesperada de mover nosso planeta para longe da ameaça solar através da construção colossal de motores gigantes e decisões políticas complexas que transformam essa missão em uma corrida contra o relógio.
Essa premissa permite ao filme explorar temas como desastres tecnológicos e sacrifícios coletivos dentro de um contexto grandioso sustentado por efeitos visuais impressionantes. Dirigido por Frant Gwo – responsável pelo primeiro filme lançado em 2019 –, esta sequência foi apresentada em 2023 como uma das produções mais ousadas da China e recebeu elogios da crítica internacional com 83% no Rotten Tomatoes americano.
🎞️ PAPAGAIOS
▶ Veja o trailer
“Papagaios” é uma produção brasileira que mistura drama e suspense inspirada na figura comum dos noticiários brasileiros: os “papagaios de pirata”, pessoas que buscam aparecer nas transmissões perseguindo repórteres. A história se passa na periferia do Rio de Janeiro e acompanha Tunico, um veterano dessa prática incessante em busca das câmeras durante coberturas cotidianas ou tragédias.
A dinâmica muda quando Tunico conhece Beto, um jovem igualmente sedento por visibilidade que acaba se tornando seu aprendiz após um incidente em um parque temático. O tom cômico inicial rapidamente transita para um suspense sombrio à medida que sua relação evolui para um jogo perigoso marcado pela ambição desenfreada.
Dirigido e roteirizado por Douglas Soares (“Esse Amor Que Nos Consome”), o longa se passa numa época anterior aos smartphones para enfatizar a busca incessante pela atenção na televisão. Uma curiosidade é que a história é baseada no trabalho do ator Humberto Carrão (“Vale Tudo”), embora ele não participe do elenco. Gero Camilo e Ruan Aguiar são os protagonistas ao lado do cantor Leo Jaime e outros atores como Marcello Escorel.
🎞️ UM PAI EM APUROS
▶ Veja o trailer
A nova comédia brasileira explora a situação banal onde a esposa decide tirar férias deixando o marido sozinho encarregado das crianças e da casa. Esse cenário provoca mudanças significativas na rotina do personagem principal gerando conflitos decorrentes desse novo desafio.
O roteiro desenvolvido por Fil Braz (“Minha Mãe é uma Peça”) aborda situações típicas relacionadas à paternidade ativa e aos desafios diários enfrentados pelos pais modernos. Rafael Infante estrela ao lado de Dani Calabresa e Babu Santana sob direção Carolina Durão (“Lascados”).
🎞️ SUSPIRIA
▶ Veja o trailer
A icônica obra “Suspiria” retorna às salas de cinema para antecipar suas cinco décadas como um marco no terror europeu dos anos 1970. Criado por Dario Argento no estilo giallo, este filme acompanha Suzy Bannion (Jessica Harper), uma jovem americana chegando a uma academia de balé na Alemanha onde ela descobre segredos obscuros envolvendo mortes misteriosas ligadas à bruxaria.
A sensação crescente de paranoia é intensificada pela trilha sonora progressiva da banda Goblin juntamente com as cores vibrantes e iluminação expressionista características da obra. O elenco inclui Stefania Casini (“Novecento”), Flavio Bucci (“Il Divo”), Joan Bennett (“Almas Perversas”) e Udo Kier – conhecido também por seus papéis em “Bacurau” e “O Agente Secreto”.
A estética visual foi amplamente elogiada pelo uso intenso das cores primárias combinadas com design Art Nouveau nos interiores. Este clássico consolidou a fusão entre giallo e horror sobrenatural influenciando gerações futuras no cinema, tendo até mesmo recebido um remake americano menos eficaz em 2018.
🎞️ VENENO PARA AS FADAS
▶ Veja o trailer
<p“O Veneno Para as Fadas”, clássico mexicano lançado em 1986 sob direção Carlos Enrique Taboada retorna aos cinemas abordando a relação entre duas meninas mediada pela crença popular sobre bruxaria. O filme transforma essa dinâmica infantil numa mistura perturbadora entre manipulação emocional e medo cotidiano.
A cinematografia adota ângulos baixos para encapsular a perspectiva infantil das protagonistas Ana Patricia Rojo (“Maria do Bairro”) e Elsa María Gutiérrez – esta última fez apenas esse papel – quase nunca mostrando os rostos dos adultos presentes na trama. O efeito dramático aumenta conforme os limites entre fantasia infantil e realidade começam a se desfazer impactando diretamente nas ações das personagens.
Culto entre críticos internacionais, essa obra é vista como influente dentro do gênero equilibrando elementos sombrios da fantasia com drama psicológico profundo enquanto conquista cinco prêmios Ariel (o equivalente ao Oscar mexicano), incluindo Melhor Filme.
🎞️ RAÍZES DO SAGRADO FEMININO
▶ Veja o trailer.. ..
A diretora Carla Camurati (“Carlota Joaquina”) explora neste documentário as representações femininas nas principais doutrinas religiosas ao redor do mundo.
A produção viaja por diferentes países analisando como religiões como hinduísmo,
budismo,
judaísmo,
cristianismo
e islamismo moldaram perceções sobre as mulheres ao longo dos séculos.
Por meio
de entrevistas com teólogas,
líderes espirituais
e acadêmicas,
o documentário conecta ideias antigas às questões contemporâneas.
Assuntos abordados incluem repressão corporal,
exclusão feminina nos espaços religiosos
e tentativasde resgatar rituais ancestrais.
Caminho questiona padrões históricos fundadores das hierarquias sociais,
desafiando justificativas ou estruturas relacionadas à desigualdade1
